A teoria do newsmaking pressupõe que as notícias são como são porque a rotina industrial de produção assim as determina.
  • Há superabundância de fatos no cotidiano. Sem organização do trabalho jornalístico é impossível produzir notícias.
  • O PROCESSO DE PRODUÇÃO DA NOTÍCIA É PLANEJADO COMO UMA ROTINA INDUSTRIAL.

Os veículos de informação devem cumprir algumas tarefas neste processo:

  • Reconhecer, entre os fatos, aqueles que podem ser notícia (seleção);
  • Elaborar formas de relatar os assuntos (abordagem/angulação);
  • ORGANIZAR, temporal e espacialmente, o trabalho para que os acontecimentos noticiáveis possam ser trabalhados de maneira organizada.

"Embora o jornalista seja participante ativo na construção da realidade, não há uma autonomia incondicional em sua prática profissional, mas sim a submissão a um planejamento produtivo. As normas ocupacionais teriam maior importância do que as preferências pessoais na seleção das notícias."

Diante da IMPREVISIBILIDADE dos acontecimentos, as empresas jornalísticas precisam colocar ordem no tempo e no espaço. Para isso, estabelecem determinadas práticas unificadas na produção das notícias. É dessas práticas que se ocupa a teoria do newsmaking.

Dentre as práticas apresentadas por essa teoria, destacam-se as seguintes:

  • Noticiabilidade: Critérios que escolhem, entre inúmeros fatos, uma quantidade limitada de notícias.
  • Sistematização: rotina de divisão das ações que envolvem a pauta, a reportagem e a edição.
  • Valores-notícia: senso comum das redações. Qualquer jornalista sabe dizer o que é notícia e o que não é de acordo com o senso comum.

Marcelo Beraba, é ombudsman do jornal Folha de São Paulo desde 2004 e escreveu sobre a morte do Papa João Paulo I e do seu sucessor João Paulo II. Ele compara como foi que os jornais publicaram essas mortes e quais ferramentas e as dificuldades no ano de 1978 na morte do primeiro.
Marcelo Beraba escreveu para o Observatório da Imprensa no dia 11/04/2005. Tô postando o link para vocês leem, pois vale a pena para observarmos quais as dificuldades existiam naquela época e a nossa facilidade de hoje em dia, que as vezes é prejudicial, já que estamos sendo massacrados com tanta informação e de todos os lados possíveis.
Galera, fica a dica também do observatório da imprensa, quando forem conferir o Marcelo Beraba, deem uma olhada no que tá rolando dia a dia por lá. Vale a pena demais.
Galera, tô postando um artigo que estudamos em aula, e que é muito interessante para que suspeita das versões da revista Veja, e pra quem ainda não suspeita, é bom suspeitar.
O artigo mostra bem essa tática de usar a irônia em suas reportagens para deixar subentendido o que ela quer dizer. Entenderam? Não? Então vale conferir o artigo. Inteligentemente escrito pela Doutora Márcia Benetti. Ela é Doutora em comunicação pela PUC-SP e professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da UFRGS.
Acesse o site e baixe o artigo e se surpreendam com o que pensa essa Doutora sobre a revista mais lida do país.
Estudamos em sala a revista 'Veja', e observamos quais teorias aplicadas na revista. Chegamos a seguinte conclusão:
  • A teoria do gatekeeper é uma das teorias mais usadas, já que o jornalista interfere de forma direta no conteúdo da reportagem. Um exemplo disso é a matéria que a Veja fez sobre o Che Guevara, onde tenta apagar a imagem do herói construída ao longo dos anos por sua história na luta contra o governo em Cuba. (Matéria que saiu na edição 2028, de 03 de outubro de 2007) Na matéria os jornalistas Diogo Schelp e Duda Teixeira ignoram fontes importantes e optam por escutar apenas um lado da história e isso faz com que o leitor acredite no que está lendo, já que usa fontes confiáveis, porém são fontes que contam apenas uma versão do que aconteceu. Isso é contra o princípio ético do jornalismo, já que toda reportagem devem ter no mínimo dois lados.
  • A teoria organizacional também é constatada nas matérias da revista. Com reportagens que sempre ferem ou alfinetam o governo, a revista demonstra obedecer uma organização, ou seja, seus donos.
  • A teoria do agendamento é outra teoria bastante notada. A Veja é a revista hoje de maior circulação, e todos aqueles que a leem acabam levando aquelas reportagens para suas conversas cotidianas, ou seja, a revista pauta as conversas das pessoas diariamente.
Teoria do Agendamento, o jornalismo como distribuidor de saberes.

"(...)em consequência da ação dos jornais, da televisão e dos outros meios de informação, o público sabe ou ignora, presta atenção ou descura, realça ou negligencia elementos específicos dos cenários públicos. As pessoas têm tendência para incluir ou excluir dos seus próprios conhecimentos aquilo que o mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo. Além disso, o público tende aquilo que esse conteúdo inclui uma importância que reflete de perto a ênfase atribuída pelos mass media aos acontecimentos, aos problemas, às pessoas."
Donald Shaw , 1979 (In: WOLG , 1994)
Itálico

A origem do conceito de agendamento está no pensamento de Walter Lippman. Jornalista norte-americano de grande atuação em pesquisas de opinião nos Estados Unidos da primeira metade do século passado, Lippman constituiu uma das mais respeitadas obras de estudos da cultura de massa e opinião pública da época, com ressonância até hoje. Para ele, " a notícia não é um espelho das condições sociais, mas um relato de um aspecto que se impôs". É seguindo esta linha de pensamento , que o autor aproxima os conceitos de notícia e opinião pública.
No entanto, a formulação clássica do conceito surge nos Estados Unidos no final da década de sessenta com Maxwell E. McCombs e Donald Shaw.

A Teoria do Agendamento pressupõe que as notícias são como são porque os veículos de comunicação nos dizem em que pensar, como pensar e o que pensar sobre os fatos noticiados.

A teoria do agendamento defende a ideia de que os consumidores de notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos veiculados na imprensa, sugerindo que os meios de comunicação agendam nossas conversas. Ou seja, a mídia nos diz sobre o que falar e pauta nossos relacionamentos.
A hipótese do agenda setting não defende que a imprensa pretende persuadir. A influência da mídia nas conversas dos cidadãos advém da dinâmica organizacional das empresas de comunicação, com sua cultura própria e critérios de noticiabilidade. Nas palavras de Shaw, citado por Wolf, "as pessoas têm tendência para incluir ou excluir de seus próprios conhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo". É disso que se trata o agendamento.
Na maioria dos casos, estudos baseados nessa teoria referêm-se a confluência entre a agenda midiática e agenda pública. Entretanto, seus objetivos não são verificar mudanças de voto ou de atitude, mas sim a influência da mídia na opinião dos cidadãos sobre que assuntos devem ser prioritariamente abordados pelos políticos. No Rio de Janeiro, por exemplo, o assunto violência tem espaço diário nos jornais. Adivinhem que tema os políticos mais falam?
A ação da mídia no conjunto de conhecimentos sobre a realidade social forma a cultura e age sobre ela. Para Noelle Neumann, citada por Wolf, essa ação tem três características básicas:
  • Acumulação: é a capacidade da mídia para criar e manter relevância de um tema.
  • Consonância: as semelhanças nos processos produtivos de informação tendem a ser mais significativas do que as diferenças.
  • Onipresença: o fato da mídia estar em todos os lugares com o consentimento do público, que conhece sua influência.

Concluindo, a teoria do agendamento nos diz, que as notícias pautam nosso dia a dia, nossas conversas e isso acontece com o poder da mídia de selecionar o mais importante e nos fazer enchegar que aquilo é sim o mais importante. As vezes o poder convencimento da mídia parece manipulação, mas não é, a mídia simplesmente expõe as notícias que julgam importante e o público, tradicionalmente, acredita sem duvidar e repassa aquele assunto para frente, sem questionar.

Essa teoria trabalha com a ideia de mercado: a notícia aparece como um produto a venda. Nessa teoria a notícia sai do âmbito individual para o âmbito da organização jornalística, já que as normas da empresa sobrepõe aos valores individuais dos jornalistas. Entende-se que o jornalista adequa-se à política do veículo não por existirem normas, mas por um processo de recompensa e punição, já que quando faz algo que a organização julga certo ele ganha uma recompensa e quando age de forma errada pelo julgamento da empresa ele é punido.
Defende-se que a acomodação do jornalista na organização se dá por seis motivos:
  • autoridade e sanções;
  • hierarquia e referência superior;
  • promoção profissional;
  • ausência de conflitos de grupos;
  • prazer pelo trabalho;
  • notícias como valor estimulando a solidariedade (orgânica) entre os jornalistas da "direção" (ou a direção) e os da "redação".

Entende-se que a notícia é o espaço que sobre da publicidade: o fator econômico , como parte da organização, é determinante na construção da notícia.

A Teoria da Organização pressupõe que as notícias são como são porque as empresas e organizações jornalísticas assim as determinam.

Warren Breed estudou em 1955 o profissional-organizativa-burocrático e entendeu que ele que exerce influência nas escolhas do jornalista. Sua principal fonte de expectativa não é o público e sim seus colegas de trabalho e superiores. Sendo assim, o jornalista acaba sendo socializado na política editorial da organização através de um sistema de recompensa e punição. Em outras palavras, ele se conforma com as crenças editoriais que passam a valer mais que a sua crença individual.

Mas o autor reconhece que o conformismo possa ser amenizado pelo sentimento de autonomia profissional da maioria dos jornalistas. Segundo ele existem cinco fatores que ajudam a fugir do controle social da empresa.

  • A falta de clareza de grande parte das normas presentes na política editorial, que costuma ser vaga ou pouco estruturada.
  • As rotinas de produção da notícia, muitas vezes, escapam ao controle dos chefes, que não estão presentes durante a coleta e redação das informações. O jornalista pode privilegiar determinado entrevistado ou dar enfoque específico a um determinado assunto.
  • Geralmente o jornalista acaba se tornando especialista em determinada área. E o chefe vai pensar duas vezes antes de interferir na reportagem dele. Principalmente, se a pauta for sugerida pelo próprio repórter.
  • O jornalista pode ameaçar a chefia com a pressão do furo, alegando que o jornal concorrente deve publicar a matéria.
  • O "estatuto de jornalista", que é uma espécie de star system da profissão. Aqueles que têm estatuto de estrela, como colunistas ou repórteres especiais, podem transgredir com mais facilidade a política editorial.

No final das contas, a conclusão de Breed é que a linha editorial das empresas é sempre seguida, apesar das possibilidades de transgressão descritas.

Enfim, a Teoria da Organização quer dizes que as notícias são como são pois as organizações assim as determinam. Acontece isso quando existe a linha editorial, a política que a empresa segue. Podemos observar isso claramente na revista de maior circulação nacional. A Veja, tem uma linha editorial anti governo Lula, várias das reportagens são subjetivas e as vezes dão a entender uma manipulação maquiada. Em vários veículos também se percebe essa teoria, é só aguçarmos nossa curiosidade e tentar entender porque determinado veículo dá uma notícia de uma forma e não de outra.

Essa teoria surgiu nos anos 50, nos Estados Unidos, como forma de deferência ao jornalismo e ao seu poder. Acredita que o processo de produção da informação é um processo de escolhas, no qual o fluxo de notícias tem que passar por diversos "gates" (portões) até a sua publicação. Entende que há intencionalidade no jornalismo e que o processo é arbitrário e subjetivo.
A teoria esbarra em alguns limites:
  • A análise da notícia apenas a partir de quem a produz;
  • Esquece que as normas profissionais interferem no processo;
  • Desconsidera a estrutura burocrática e a organização.

A teoria do Gatekeeper pressupõe que as notícias são como são porque os jornalistas assim as determinam.

Diante de um grande número de acontecimentos, só viram notícias aqueles que passarem por uma cancela ou portão e quem decide isso é um selecionador, que é o próprio jornalista. Ele é o responsável pela progressão da notícia ou por sua morte caso não a deixe ser publicada.

O termo surgiu em 1947, no campo da psicologia, criado pelo psicólogo Kurt Lewin. Foi aplicada ao jornalismo em 1950 por David Manning White. Ele estudou o fluxo de notícias dentro de uma redação e percebeu que poucas eram escolhidas e publicadas, então ele resolveu estudar quais pontos funcionavam como cancelas. Ele concluiu que a forma de escolher as notícias foram subjetivas e arbitrárias. Muitas foram rejeitadas por falta de espaço, outras consideradas repetidas e algumas pelo tempo, pois chegaram tarde.

A teoria foi perdendo seu prestígio, pois constataram-se que as escolhas das notícias se davam por tempo ou espaço e não por avaliação individual de noticiabilidade.

A teoria do gatekeeper por tanto fala que as notícias são como são porque o jornalista as determina, mas vemos diariamente vários fatores que nos mostra que as notícias são como são por determinação do espaço ou mesmo pelo tempo que ela chega as redações, ou ainda pela organização que as determina (linha editorial).

O JORNALISMO COMO ESPELHO DA REALIDADE

É a teoria mais antiga. Inspira-se no Positivismo do filósofo francês Auguste Comte (1798-1857).
A teoria acredita e defende a ideia de objetividade no jornalismo. Essa corrente vê o jornalista como um comunicador desinteressado, e que conta a verdade sempre, "doa a quem doer". Para o senso comum, é até hoje a concepção dominante no jornalismo ocidental.
Tem dois momentos históricos:
  • Meados do século 19. Nascimento do jornalismo informativo, que separa opinião de informação.
  • Início do século 20 - o jornalismo aparece associado a objetividade, aqui entendida como método criterioso de pesquisa e checagem dos fatos.

A teoria do espelho pressupõe que as notícias são como são porque a realidade assim as determina.

A metáfora é autoexplicativa.Ela foi a primeira metodologia usada na tentativa de compreender porque as notícias são como são, ainda no século XIX. Sua base é a ideia de que o jornalista reflete o que é a realidade, ou seja, as notícias são como são porque a realidade assim as determina. A imprensa funciona como espelho da realidade, apresentando um reflexo do cotidiano.

Essa teoria acredita que o jornalista é um mediador desinteressado, cuja missão é emitir um relato equilibrado e honesto sobre as suas observações. Seu dever é informar e informar quer dizer, buscar a verdade acima de qualquer coisa.

Mas essa teoria é pobre e insuficiente por natureza. A simples argumentação de que a linguagem neutra é impossível, bastaria para refutar a teoria do espelho, pois não há como transmitir significado direto dos acontecimentos. Uma fonte pode distorcer o que realmente aconteceu, não é difícil encontrarmos lacunas nesta teoria. Sempre há um mediador entra o fato e o repórter o que pode ocasionar uma distorção da realidade.

Onde surgiu?

Essa teoria surgiu em meados do século XIX, quando os fatos mudar os comentários e acredita-se que a palavra pode refletir a realidade. O que será ainda mais reforçado a partir das regras de narração e dos procedimentos profissionais criados em 1920. Nas palavras de Walter Lippman eles trariam rigor do método cientifico aos jornalistas, evitando a subjetividade.

Cuidado que jornalistas devem ter;

Twitter como ferramenta para o rádio

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As discussões sobre o uso do Twitter como ferramenta para a apuração no jornalismo continuam. Entre os principais argumentos contrários está a credibilidade das fontes e entre os favoráveis está a rapidez e multiplicidade de fontes de informação. Os debatem sobre esse uso mal começaram. Certamente serão intensificados ainda com o passar do tempo, assim como os possíveis usos do Twitter devem ser ampliados.

Por agora, o post de Christian Espinosa, no Blog Cobertura Digital, nos dá uma idéia de como essa ferramenta pode ser utilizada – e não só no jornalismo on line. E para o rádio? É possível? Como utilizar o Twitter? Ele pode fazer realmente alguma diferença para a transmissão fora da internet? Serve como fonte ou simplesmente como uma ferramenta para transmitir a informação ao ouvinte?

O Ouvinte e o consumo ativo

Não são só as rotinas profissionais do jornalista e do comunicador de rádio que estão sendo alteradas pelo processo de tecnologização das redações. Embora essa mudança no cotidiano das emissoras se mostre de maneira direta através das ferramentas tecnológicas, como nos mostram vários autores, entre eles Carmen Peñafiel, essa interferência é intensa. Entretanto, é importante observar que ela também se estabelece de forma indireta.
O jornalista e doutor em comunicação João Paulo Meneses lembra, em um artigo publicado na revista Meios e Publicidade, que existe hoje um novo perfil de ouvinte. Trata-se de um ouvinte com um perfil de consumo ativo, inserido no cotidiano das novas gerações digitais, que buscam, interagem, controlam, personalizam a informação. A cada dia mais é preciso observar que se esse novo público começou a se construir em veículos online, hoje ele se relaciona em grande escala com os demais meios de comunicação e, com isso, demanda deles uma adequação.
Esta discussão não pode ser deixada de lado ao estudar ou pesquisar o jornalismo de rádio em ambiente de convergência e tecnologia. Voltaremos a isso.
Ficou interessado? Leia o texto de João Paulo Meneses.

A teoria do jornalismo e a seleção de notícias
Gian Danton


A questão central do jornalismo é porque as notícias são como são.

Dentre as várias teorias que tentaram responder a essa pergunta, três se destacam: a teoria do espelho, a teoria do gatekeeper e a teoria organizacional.

A teoria do espelho diz que as notícias são como são porque a realidade assim o determina.

Esse ponto de vista surge influenciado pela invenção da fotografia. O jornalista deveria ser como um fotógrafo: simplesmente relatar a realidade da maneira como ela se apresenta, sem qualquer intervenção subjetiva. Essa visão ganhou seu bordão com uma declaração de um correspondente da Associated Press, em 1856: "O meu trabalho é comunicar os fatos: as minhas instruções não permitem qualquer tipo de comentário sobre os fatos, sejam eles quais forem".

Era a idéia-chave da separação entre as opiniões e os fatos. Ou, como diziam os ingleses, "a opinião é livre, mas os fatos são sagrados".

A teoria do espelho surge em um momento de vitória do paradigma positivista, que pretendia expurgar a subjetividade da ciência, criando metodologias totalmente racionais. Essa preocupação positivista se refletiu no jornalismo na forma de contraposição ao jornalismo literário, em que o jornalista era o porta-voz de uma ideologia. Também foi uma reação contra os excessos do chamado jornalismo sensacionalista.

Segundo José Marques de Melo, no final do século XIX o jornalismo norte-americano havia deixado de ser um serviço para tornar-se um negócio altamente lucrativo. A diretriz passou a ser o sensacionalismo e os princípios éticos mais elementares foram esquecidos. Na ânsia de conseguir a atenção dos leitores, muitos jornais passaram até mesmo a criar notícias. A existência do fato, fator essencial do jornalismo, passou a ser irrelevante.

Na teoria do espelho, o bom jornalista é um observador desinteressado, que relata com honestidade e equilíbrio tudo que vê, cauteloso para não emitir opiniões pessoais.

A teoria do espelho é a bússola norteadora dos manuais de redação e das regras de conduta dos jornais. Parte-se do princípio de que seguir as regras do bom jornalismo (escrever a matéria de forma impessoal, ouvir os dois lados da questão) era garantia de se ter um retrato fiel da realidade.

De todas as teorias que se ocuparam da notícia, essa é talvez a mais criticada. Para começo, suas bases são frágeis. A analogia com a fotografia só demonstra a abertura para a subjetividade, pois mesmo a fotografia pode ser veículo de subjetividade. O semiólogo francês Roland Barthes já demonstrou que a fotografia não é só denotação, mas é também conotação. Processos conotativos, como a escolha das fotos (por que determinado jornal coloca a pior foto do candidato X, enquanto outro jornal publica a melhor foto desse mesmo candidato), a pose e os processos de fotomontagem demonstram que a fotografia não é um retrato fiel da realidade.

Ademais, teorias cognitivas demonstram que o ser humano não consegue captar a realidade em toda as suas facetas e a escolha dos fatos que serão memorizados obedece a padrões subjetivos.

Por outro lado, o filão de investigação que concebe as notícias como construção rejeita as notícias como espelho por diversas razões. Em primeiro lugar, argumenta que, num mundo em que tudo gira ao redor dos meios de comunicação de massa, é impossível separar a realidade da realidade que é mostrada pela mídia. A teoria do agenda setting, por exemplo, diz que as pessoas só discutem aquilo que está na mídia. Em segundo lugar, defende a posição de que a própria linguagem não pode funcionar como transmissora direta de significado inerente aos acontecimentos, porque a linguagem neutra é impossível. Embora o fato seja fator fundamental do jornalismo, sem o qual o mesmo não existe, há uma certa subjetividade e essa subjetividade se encontra na escolha dos fatos. Na escolha das notícias.

Duas outras teorias vão tratar desse processo de escolha de notícias.

A teoria do gatekeeper, originalmente surgida no campo da psicologia e adaptada à análise comunicacional por David Manning White no anos 50, dá ênfase à ação pessoal. White acompanhou durante uma semana o processo de escolha de notícias por parte de um jornalista de meia-idade de um jornal médio norte-americano. A cada escolha, o jornalista, denominado Mr. Gates, deveria anotar as razões pelas quais aceitava ou não uma notícia vinda de uma agência.

White concluiu que o processo de seleção é arbitrário e subjetivo. Assim, de acordo com a teoria resultante do estudo, o jornalista é um gatekeeper, um porteiro, que abre e fecha a porta para as notícias. Aquelas que parecem mais interessante para o jornalista são publicadas, as resultantes são esquecidas.

Generalizando, pode-se dizer que todo jornalista, a todo momento, é um gatekeeper, pois, além das escolhas das pautas que mais interessam, cabe também a escolha dos detalhes que serão publicados. Um profissional pode abrir o portão para determinada informação em uma notícia e fechar para outros. Além disso, há profissionais, como os editores, que têm como função abrir ou fechar o portão para os fatos que serão divulgados, configurando verdadeiros gatekeepers.

A teoria gatekeeper foi duramente criticada por apresentar uma explicação puramente psicológica para a questão das escolhas das notícias e esquecer aspectos sociais. O enfoque sobre a ação social seria dado pela teoria organizacional. Criada por Warren Breed, essa teoria insere o jornalista no seu contexto mais imediato: a organização para a qual trabalha.

Breed dá destaque para os constrangimentos organizacionais pelos quais passam os jornalistas e considera que estes obedecem muito mais as normas e a política editorial/política da empresa, do que seus impulsos pessoais na hora da escolha das notícias.

Como exemplo disso, em estudo realizado em Portugal por José Luís Garcia, 90,6% dos jornalistas daquele país revelaram já ter sofrido algum tipo de pressão no exercício de sua profissão. Essas pressões eram de origem externa e interna. Entre as pressões externas, a maioria provinha de grupos interesse político-partidário (85,8%), seguidos por grupos empresariais e governamentais. Essa pressão, entretanto, não é direta. Ao jornalista inexperiente não é informado o que ele deve ou não deve fazer. Ele o aprende aos poucos, através de um sucessão sutil de recompensas e punições. Assim, o jornalista aprende a antever aquilo que se espera dele, a fim de obter recompensas e evitar penalidades.

São raros os jornalistas que se colocam contra a linha política/editorial da empresa. A maioria se conforma com ela em decorrência de vários fatores. Entre eles: as punições e recompensas; o sentimento de estima para com os superiores e o medo de magoá-los; a vontade de crescer profissionalmente (jornalistas que se adequam à linha política/editorial da empresa têm mais chance de chegar a cargos de chefia); o prazer da atividade (os jornalistas, apesar de não perceberem altos salários, estão geralmente satisfeitos com sua atividade e sentem que estão contribuindo de alguma maneira para a melhoria da sociedade).

Um outro tipo de pressão é o tempo. Quanto menor for tempo de escolha do jornalista, quanto mais próximo ele estiver do deadline, maior será a influência da organização sobre ele. O fator tempo, portanto, transcende a ação pessoal do jornalista e pode ser inserido nos constrangimentos organizacionais que assimilam o jornalista à política organizacional.

As teorias organizacional e gatekeeper não pregam uma volta ao sensacionalismo anterior à teoria do espelho, mas demonstram que toda notícia é apenas uma versão dos fatos, e nunca a versão definitiva dos mesmos.

Para ir além
BARTHES, R. A Mensagem fotográfica. In: LIMA, L. C. Teoria da Cultura de Massa. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

SOUSA, J. P. Teorias da notícia e do jornalismo. Chapecó: Argos, 2002.

TRAQUINA, N. O estudo do jornalismo no século XX. São Leopoldo: Unisinos, 2001.


Gian Danton
Veja no texto de Jorge Pedro Sousa, professor da Universidade Fernando Pessoa, como se constrói uma Teoria do Jornalismo.



ENTREVISTA / NELSON TRAQUINA
Estudos da prática jornalística

Por Luís Eblak em 20/7/2004

Tentar explicar "o que é jornalismo" e por que as notícias são como são. Esse é o desafio, nada simples, do livro Teorias do Jornalismo (vol.1), de Nelson Traquina (224 pp, Editora Insular, Florianópolis, 2004). A obra foi lançada em abril e a editora promete para breve (embora sem uma previsão fechada) seu segundo volume.

Português nascido nos Estados Unidos, Traquina é mestre em Política Internacional, formado em Jornalismo pelo Institut Français de Presse e doutor em Sociologia, conforme apresentação do professor Eduardo Meditsch no livro. Como jornalista, foi correspondente da UPI. Hoje professor da Universidade Nova Lisboa, que teve o primeiro curso de Comunicação em Portugal fundado em 1979, Traquina se dedica ao estudo do Jornalismo. "[Para ele] O que deveria distinguir a formação universitária do jornalista seria o estudo teórico da prática jornalística", explica Meditsch [veja, abaixo, remissão para a íntegra da apresentação de Eduardo Meditsch para o livro de Traquina].

No Brasil, quem é considerado o "fundador da disciplina Teoria do Jornalismo" é Adelmo Genro Filho (irmão do atual ministro da Educação), autor do livro O segredo da pirâmide, de 1987. Nele, Adelmo (1951-88) formulou uma teoria marxista do jornalismo. De lá para cá, o estudo desse assunto se expandiu – principalmente entre pesquisadores de algumas universidades federais. Várias escolas de Comunicação vêm introduzindo a disciplina Teoria do Jornalismo em suas grades curriculares. A primeira que fez isso deve ter sido, ainda segundo a apresentação de Meditsch à obra de Traquina, a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), em meados da década de 1980. A publicação de livros de teoria do jornalismo, no entanto, parece até ser mais "monopólio" dos portugueses no Brasil: afinal, além da obra de Traquina, há também em nosso mercado editorial Teorias da notícia e do jornalismo, de Jorge Pedro Sousa (Florianópolis, Letras Contemporâneas, 2002).

Traquina não aborda o caso brasileiro. Seu objeto de estudo se concentra em alguns países, como Estados Unidos, Reino Unido e França, principalmente, mas também Portugal. Daí sua afirmação, logo no primeiro capítulo, da "relação simbiótica entre jornalismo e democracia". Para tentar cumprir seu desafio de definir o jornalismo, o professor português recorre a grande bibliografia, principalmente de norte-americanos e franceses. Consciente do desafio, ele assume o risco.

Um atraso básico de todos os dias!

Celi?! Contando piada?! Mas é claro!!!!!!!!!!

É só apertar o play! ;D

Tudo bom gente? A Celi entregou a prova que valeu 15 pontos e corrigiu a prova em sala de aula. Recebeu os trabalhos sobre a aula passada. Para quem não lembra, olhem os vídeos postados na aula passada sobre o jornalista Eduardo Idaló!

Parte da aula destinada para explicação sobre o tempo no dia a dia do jornalista

Questões da prova: (valor: 15 pontos)

1º - Descreva os passos da apresentação que você e seu grupo farão para os alunos do terceiro ano do Ensino Médio. (Valor 5 pontos)

2º - Com base na leitura do capítulo 11 - Jornalismo Educativo: o embrião da nova escola do livro "Teoria do Jornalismo: Identidade Brasileira", de José Marques de Melo, explique em menos de 10 linhas, o que você entende sobre "leitura crítica dos jornais". (Valor: 5,0)

Leitura crítica dos jornais é você ao ter um veículo em mãos entender que acima de tudo ele é uma empresa e essa empresa atende aos interesses de um determinado grupo. Entender que o jornal traz uma leitura dos fatos, mas que essa leitura não pode ser considereda como a unica leitura válida. É preciso ler e ler todas as vertentese possibilidades que lhe oferecem sobre um determinado assunto, assim ter uma visão mais clara da maneira como você irá defender ou expor o fato na sua opinião.









Aula destinada a um debate com o ex aluno da Uniube Eduardo Idaló (Diretor de Jornalismo da rádio JM), onde foi mostrado como funciona o processo de construção de uma notícia e a rotina de um jornalista!

Obs: Para a próxima aula os alunos (nós) devem entregar uma reportagem sobre a entevista feita em sala com o diretor da rádio JM Eduardo Idaló. Ela valerá 5 pontos na matéria de Teoria do Jornalismo!

Mais uma explicação: O que é etnografia?! Bem, vou pular a parte do grego e vou dar uma resmida legal! A etnografia é o estudo descrito de um povo.

Os estudos etnográficos são uma técnica, proveniente das disciplinas de Antropologia Social (Matéria que tivemos smeestre passado com a professora Fernanda Telles), que consiste no estudo de um objecto por vivência directa da realidade onde este se insere. Permitindo analisar a componente social das tarefas desempenhadas numa dada organização.

Com esse estudo podemos saber o modo como realmente as pessoas executam as suas funções que muitas vezes difere da forma como as definições dos processos sugerem que elas devem fazer, acooperação e conhecimento das actividades de outras pessoas.

Aí vai uma explicação legal para quem não presta atenção nas aula de Edição! O que é Dead Line ou "Linha da Morte" :O ?! Essa é uma expressão geralmente indicada para um determinado limite de tempo, um limite que não pode ser ultrapassado. É bastante utilizado em recursos financeiros, mas nesse caso é no jornal mesmo! Em uma data improrrogável!

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